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Sim, as polêmicas fazem parte do ser humano e dos nossos tempos do politicamente correto e dos SJW (Social Justice Warriors). Mas, em alguns momentos a polêmica é justa e você fica pensando como as pessoas se metem nessas enrascadas. A coisa aqui chega até o viés do impossível. Como um fotógrafo se coloca nessa situação?

A história é a seguinte. A atriz Lupita Nyong'o, de origem keniana-mexicana, foi convidada a estrelar a capa da revista feminina Grazia em sua versão do Reino Unido. Para quem não conhece, Lupida ganhou o Oscar por sua atuação no filme 12 Anos de Escravidão (filme muito bom, vale a pena dar uma olhada se você gosta de dramas). Até ai tudo bem, pois esse tipo de trabalho faz parte das atividades de uma atriz de fama internacional.

Porém, o caldo entornou quando a revista chegou às bancas. A atriz acusou a publicação de ter editado, modificado e suavizado o seu cabelo para se encaixar em algum padrão de beleza. Comparando as duas fotos percebemos que a modificação foi brutal e muito longe de ter sido um simples erro. Claro que Lupita não gostou e colocou a boca no trombone nas redes sociais (nossa atual arena de gladiadores virtuais).  Vejam abaixo o desabafo da atriz no twitter:

Ela postou a mesma imagem no seu Instagram com um texto muito mais longo dizendo que adora seu cabelo natural e que o usa com orgulho para mostrar para as crianças que elas são lindas do jeito que são. Ela também conta que cresceu pensando que cabelo liso e pele branca eram o padrão de beleza normal. Ou seja, declarações que pegaram muito pesado para com a revista.

A Grazia foi rápida em divulgar um comunicado pedindo desculpas sem nenhuma ressalva ao acontecido e que sempre apoiou a diversidade e todos os atuais discursos das militâncias, mas que também foi uma vítima na situação, pois as imagens foram entregues pelo fotógrafo dessa maneira e que não foi exigido nenhum tipo de edição para com a aparência da atriz.

O fotógrafo An Le também soltou um comunicado dizendo ter refletido sobre o acontecido e que chegou a conclusão que realmente cometeu um erro. Ele pede um monte de desculpas e se diz arrependido, mas em nenhum momento o animalzinho diz o motivo que o levou a fazer tão drástica mudança na imagem.

Pode parecer uma coisa boba, coisa de SJW, coisa de pessoas que estão de mimimi, mas sempre gosto de citar fatos. Modelos negras possuem uma participação muito pequena em capas de revista. Semana passada vi um levantamento apontando que, em 40 anos de revista Playboy no Brasil, apenas 9 capas foram para mulheres negras. Isso em um país onde a porcentagem de mulheres negras é muito grande. Em um momento que as atrizes negras estão assumindo a luta pela sua identidade, sofrer uma "agressão" como essa é imperdoável. Um total desserviço.

curso nu artístico

Provavelmente essa será a última realização do ano de 2017. Ministrar o curso de fotografia de nu artístico aqui na Oficina Cultural de Presidente Prudente sempre foi um sonho. O projeto foi enviado várias vezes nesses 10 anos que ministro aulas no projeto e agora foi aprovado. E melhor. É um curso de 20 horas de duração (bem mais extenso do que os cursos dos últimos anos) e totalmente gratuito. Agora, por conta das últimas mudanças nas políticas da Oficina Cultural, também temos à disposição a estrutura do Centro Cultural Matarazzo. Por um lado perdemos e por outro ganhamos.

O tema do curso é:A fotografia e o nu - elementos para utilização como expressão artística. E é isso mesmo que vamos realizar, um curso de nu artístico para projetos de ensaios fotográficos e fine art. Não trataremos de fotografia sensual comercial, apenas o artístico. O curso de nu artístico será dividido em 4 partes distintas.

A primeira delas é uma explanação teórica sobre a fotografia de nu artístico. O que a define entre tantos tipos de fotografia de nu, quais equipamentos utilizamos, tipos de luz, como escolher o modelo (a) para o projeto, como construir o planejamento necessário, a estética, composição e a direção de modelos.

A segunda parte do curso é dedicada a como encaixar a fotografia de nu em um projeto verdadeiramente artístico. Fotografar uma pessoa meramente sem roupa não classifica a sua imagem como sendo um objeto artístico. Então vamos classificar os nossos ensaios dentro de três categorias: as meramente estéticas, os ensaios fotográficos e a fotografia fine art (utilizaremos para isso a definição da Danny Bittencourt sofre fotografia fine art).

A terceira parte de nosso curso vai ser dedicado à fotografia na prática. Teremos uma modelo a disposição e essa parte prática terá dois momentos. O primeiro momento é um ensaio externo executado e dirigido por mim onde os alunos terão a oportunidade de ver como eu trabalho, como eu dirijo a modelo e como eu uso as principais fontes de luz que mais gosto. O segundo momento é dedicado á fotografia dos alunos e dos pequenos projetos que eles serão levados a desenvolver.

Por fim, a quarta parte do curso é voltada para seleção das imagens (curadoria) que foram executadas na aula prática e uma pequena mostra de edição de imagens no programa Adobe Photoshop Lightroom.

O curso vai se realizar nos dias 02, 09 e 10 de dezembro de 2017 no Centro Cultural Matarazzo de Presidente Prudente. Teremos 20 vagas disponíveis e as inscrições podem ser feitas através do e-mail oficinasculturaispp@gmail.com.

Ontem foi o lançamento de Liga da Justiça (Justice League- 2017) no Brasil e eu estive lá para acompanhar esse evento. Um evento de muita alegria, pois cresci acompanhando as incríveis histórias destes personagens. Quando era criança, nos anos 80, apesar da crise econômica que o país passava, meu pai sempre comprava 1 revista em quadrinho por mês para mim. Foi esse pequeno ato paterno que me despertou o interesse pela leitura e pelos super-heróis. Embora os heróis da Marvel também tenham participado desse momento, são os personagens da DC que moram no meu coração.

Um exemplo disso é que gostei de quase todos os filmes feitos até agora. Homem de Aço e Batman Vs Superman estão aqui na estante de casa e gosto muito dos dois. Porém, tudo o que envolve o Superman, meu ídolo, não pode ser analisado imparcialmente por mim. O filme da Mulher Maravilha, do ponto de vista do roteiro e diversão, é superior a esses dois, mas isso todo mundo concorda. E, infelizmente, Esquadrão Suicida não está no mesmo nível, embora possa ser uma boa diversão de final de fim de semana.

Liga da Justiça começa mostrando que 3 caixas maternas estão perdidas pela Terra. Elas ficaram por aqui por conta de uma tentativa fracassada de invasão das forças de Dark Side, comandadas pelo Lobo da Estepe, há mais de 5 mil anos. Agora, com a morte de Superman e o enfraquecimento das forças terrestres, o Lobo da Estepe resolveu voltar e acabar o que começou. Para tanto, ele precisa das caixas que ficaram sob a guarda dos Atlantes, das Amazonas e dos homens. Sentindo a chegada de um grande inimigo, Batman começa a procurar pessoas para montar uma equipe que seja capaz de defender o planeta.

Uma histórias simples porém bem desenvolvida. É basicamente um filme de origem que não fica muito tempo falando sobre isso. O público já conhece os personagens. Sei que a Marvel decidiu apresentar todos os membros dos Vingadores antes para um novo público, mas com a DC isso não é preciso. Todos conhece, os personagens. Superman, Batman e Mulher Maravilha tiveram seus filmes, mas Flash, Aquaman e Cyborg apareceram nessa fase cinematográfica pela primeira vez. E você sabe perfeitamente quem são e o que podem fazer.

Em comparação com os filmes anteriores a coisa aqui está mais leve. Existem toneladas de piadas e existem toneladas de cenas que foram feitas para os leitores dos quadrinhos (um presente). Mas, não vejo aqui as piadas como galhofas. São aquelas piadas que até combatentes fazem durante os piores momentos para aliviar a pressão da batalha. O Flash (muito melhor do que a versão televisiva) é o ponto principal da maior parte das piadas. E não que ele seja um piadista. É o jeito natural dele por estar totalmente deslumbrado com todo aquele mundo. Ele é praticamente nós, os espectadores, que entrou em um mundo maravilhoso de lendas e heróis e ainda não sabe muito bem como lidar com isso.

Batman deixou de ser tão amargurado como no filme anterior. Algumas pessoas estão criticando essa mudança do homem morcego. Mas, por mais que as pessoas critiquem o final de Batman Vs Superman, a experiência mudou o herói. Ele era um vigilante amargurado que respondia a tudo com extrema violência. Isso ficou um pouco para traz com a possibilidade de ter esperança, ver a bondade e altruísmo em outros heróis, ver que existe um caminho diferente. Ele ainda é o Batman, mas se permite ter confiança e, acima de tudo, agora ele tem amigos. Destaque para a piada envolvendo uma das frases mais icônicas do Batman no filme anterior.

Mulher Maravilha continua maravilhosa (perdão do trocadilho). Ela continua focada, poderosa, valente e chutando bundas. Muitos questionaram a extensão dos poderes da personagem, mas ela sempre foi digna de tamanha força. Não sei qual é o espanto da galera. Aquaman está perfeito. Fora todo o estigma que o personagem possuí, conseguiram fazer dele um heróis (ou anti herói) atormentado, bruto e pronto para a pancadaria. Nada parecido com o antigo desenho dos SuperAmigos. E o Cyborg completa a equipe como o personagem mais amargurado. Eu fiquei meio preocupado com sua participação. Lembro mais do personagem como um membro dos Novos Titãs e achei que haveriam personagens mais clássicos da liga para participar do filme, mas tudo se encaixou muito bem.

O filme é bom? Sim, é excelente. Eu pulei, dei risada e me contorci na cadeira do cinema. As lutas são bem bacanas e bem filmadas (nada de corte rápido, você sabe o que está acontecendo). Os personagens são icônicos e o entrosamento é muito bom. O arco final do filme é um exemplo de como uma equipe deve lutar em conjunto. Mas, lembre-se. São personagens de histórias em quadrinhos. São seres superpoderosos que estão ai apenas para salvar o mundo. É 100% pura diversão. Não vai mudar o universo e nem te fazer pensar nas grandes questões da vida. Você entra no cinema, senta na cadeira e apenas se diverte. Essa é a graça da coisa.