Pular para o conteúdo

Fotógrafa causa polêmica com fotos infantis sexualizadas

O mundo passa por constantes mudanças. Coisas que eram proibidas há algumas décadas  hoje estão liberadas. Da mesma forma, coisas que eram aceitáveis nas décadas passadas são hoje veementemente rejeitadas e proibidas. Fotografias infantis mostrando crianças nuas ou em poses eróticas ou sensualizadas eram suportadas pela sociedade algumas décadas atrás, mas hoje elas são rejeitadas e, na maioria dos países, até consideradas crime.

Na década de 70, a fotógrafa francesa Irinia Ionesco causou espanto com uma exposição chamada Eloge de Ma Fille onde ela mostrou para a sociedade uma sequência de fotos onde retratava a própria filha nua em poses eróticas e sensuais. O detalhe é que as fotos foram feitas quando a menina estava na faixa de idade de 05 a 10 anos. Mesmo na época o ensaio causou muita polêmica, mas foi aceito por muitos como arte e a estreia da exposição foi na galeria Nikon, mostrando que muita gente queria bancar o projeto. Depois de adulta, Eva Ionesco processou a mãe por conta do constrangimento que passou por ter fotos suas expostas ao mundo, mas o trabalho pode ser comprado até hoje em lojas de livros americanas.

Na década de 70, o fotógrafo David Hamilton causou polêmica ao publicar livros de fotos com mulheres menores de idade e nuas. O fotógrafo passou por várias acusações de pornografia infantil e seus livros foram proibidos em vários países. O fato de suas fotos sempre apresentarem uma névoa e um foco muito soft trouxeram fama ao fotógrafo e um estilo intitulado como "Hamilton Blur". No começo dos anos 2000 várias das ex-modelos do fotógrafo vieram a público dizendo terem sofrido abuso sexual de Hamilton. Uma delas,  Flavie Flament, diz ter sido abusada em 1987 quando tinha apenas 13 anos. O fotógrafo negou todas as acusações e ameaçou todas as ex-modelos de processos judiciais por calúnia. Em 25 de novembro de 2016, ele foi encontrado morto em seu apartamento em Paris por aparente suicídio. 

No Brasil, em agosto de 1991, o fotógrafo carioca Fábio Cabral lançou o livro "Anjos Proibidos", uma coletânea de retratos que mostravam adolescentes semi-nuas em poses eróticas que foram feitos entre 1985 e 1990. As 500 cópias do livro foram apreendidas pela justiça e o fotógrafo processado por ter feito pornografia infantil. Dois anos depois a justiça inocentou o fotógrafo e o livro voltou a ser vendido. Hoje é considerado item raro para colecionadores e o valor de cada cópia é muito elevado.

O que esses dois casos tem em comum é que a prática de fotografar meninas adolescentes em poses eróticas era praticado por vários fotógrafos e aceito como arte em alguns círculos nas décadas de 60, 70 e 80. O principal exemplo disso são os trabalhos de fotógrafos como Jock Sturges e Sally Mann. No Brasil, esse tipo de fotografia é quase que totalmente proibida pelo ECA  (Estatuto da Criança e do Adolescente), mas ao redor do mundo esse tipo de polêmica ainda acontece.

Nessa semana, tivemos uma treta com a fotógrafa americana  Meg Bitton que foi acusada de fotografar meninas menores de idade em poses e situações impróprias. A fotógrafa é especializada em crianças, gestantes e newborn. As acusações partiram de textos anônimos publicados em um blog hospedado na plataforma WordPress. Nesses textos existem críticas quanto a algumas das imagens que a fotógrafa produz em seu trabalho e em seus workshops de fotografia. Imagens como essa abaixo.

Uma das acusações é que a fotógrafa utiliza fotos polêmicas para atrair a atenção do público e depois apaga essas imagens de suas redes sociais. Aliás, uma prática muito comum na propaganda Brasileira que solta peças publicitárias polêmicas na sexta feira (com a certeza que serão proibidas na segunda feira), mas que cumprem a função de chamar atenção. Parece que esse tipo de ação deu certo para a fotógrafa, já que ela já possui mais de 300 mil seguidores só no facebook e 57 mil no Instagram.

A fotógrafa defende seu trabalho dizendo que ele é um reflexo de sua vida e que ela tenta contar a história de Nova Iorque e de sua infância na década de 70. Sinceramente, eu sou adepto da fotografia ousada, erótica, sensual e artística. Mas, envolver crianças e adolescentes em seu trabalho é um caminho certo para a polêmica e para o estrelato. Minha opinião é que não devemos misturar crianças com o erotismo adulto. Vamos deixar crianças sendo crianças.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.